Sábado, Abril 14, 2007

Blog da Cachorra em Portugal


Acabamos de fazer o caminho inverso do Pedro Alvares Cabral. O "Blog da Cachorra" chegou lá em Portugal e entrou pelo Buraco da Fechadura! O quê você não entendeu ainda? Vou desenhar!
www.chavedoburaco.blogspot.com é o Blog do Zé Oliveira, meu camarada lá de Portugal. Vale a pena dar uma espiada. Apartir de hoje ele faz parte dos nossos mais ilustres links.

Quarta-feira, Abril 11, 2007

Momentos Especiais, Pessoas Especiais.


Existem dias especiais. Dias que não precisa nem mesmo o sol estar brilhando, você já amanhece feliz. O simples fato de você saber que acima das nuvens cinzas existe um sol brilhando, é o que basta para que você perceba seu redor de forma mais limpa e mais clara. Nestes dias você sai de peito aberto, só atraindo as coisas positivas que a vida te reserva.
Ontem eu amanheci feliz por estar feliz. Fiz o meu caminho habitual, cheguei no trabalho e logo recebo uma boa notícia. Dona Maria se aproximou e disse:
Deixaram um embrulho para o senhor. Eu coloquei em cima de sua geladeira.
Um embrulho para a minha pessoa? Em carne e osso. Que poderá ser? Tento imaginar o que tem ali dentro daquele envelope. Um carro? Não é. Não caberia num daqueles envelopes pardos. A Flávia Alessandra? Acho que não o salto dela teria furado o envelope e a dona Maria já teria me contado que ela estaria ali dentro. Vou abrir, assim eu já mato essa maldita curiosidade.
Não acredito! Putz grila, caracas...(muita alegria mesmo).
Depois de recuperado do susto. Exclamo a plenos pulmões:
Sou cara mais importante desta cidade cinza, acabo de passar de anônimo a alguém digno e merecedor.
Que eu fiz pra merecer tamanha honra? Sempre fui honesto e dedicado, mas isso aqui já é demais, desenrosco o sorriso das orelhas e aquele grito surdo fica pulsando em meu peito.
Você mereceu! É um felizardo! Vai cara corra para rua grite para que todos saibam! Mande e-mails, telefone... Não fique contido espalhe sua alegria. Conte pra todo mundo.
Isso mesmo Eu acabo de receber um livrão todo amarelo, capa dura, muita bem impresso onde se lê em cima “Lista Telefônica 2007”. Coisa mais linda do mundo todo! Com um monte de figurinhas, o alfabeto inteiro com as letras organizadas uma após a outra.
Nossa que será que eu fiz? Acabo de ganhar a lista com os telefones de todo mundo da cidade e não é só isso ainda veio uma lista de pessoas que moram na região metropolitana. Mais de dez mil telefones ali. E para completar minha alegria na página central, varios tíquetes onde está escrito: Cupons de desconto. Posso ir a qualquer uma daquelas lojas pedir um sanduba e pagar muito menos do que uma pessoa anônima pagaria.Eu sou o “escolhido”.
Fico pensando quantas pessoas gostariam de ser dignas de receberem tamanha prova de confiança. Quantas pessoas gostariam de receber tal agrado.
No decorrer do dia eu escolho um número dali aleatoriamente, e conto esta história, me apresento e digo que fui escolhido para receber uma lista com o nome de todo mundo. Até já sugeri aos meus amigos que se eles quiserem saber algum telefone é só me ligar eu vou procurar e passo pra eles, pelo menos não vou deixá-los na mão ouvindo aquele tu tu tu...
* Sampaio

Segunda-feira, Abril 09, 2007

Deus castiga.

Todo dia a caminho do trabalho eu passava por uma rua de terra batida e cheia de árvores. Era uma rua muito sinistra, pois na vizinhança toda era a única rua que não tinha calçamento algum. Nem mesmo calçadas mal passavam carros ou pessoas naquela rua, no meio dela tinha até um canteiro de mato, só não tinha mato nela toda porque de vez em quando passava algum carro por ali e acabava deixando uma depressão de pneus onde por vezes a água da chuva ficava empoçada até que o sol a fizesse secar. Mas até aí tudo bem essas coisas existem em todo lugar, o que a tornava especial era por ser uma ruazinha perdida no meio da cidade, acredito que nem mesmo existia no mapa municipal.
E no final desta rua tinha uma casa humilde de madeira já desgastada pelo tempo, com suas tábuas escurecidas, mas tinha seu encanto. No canto dela crescia e despencava em flores uma trepadeira que dava cachos de flores roxas. E na frente da casa tinha uma pedra enorme pintada de branco, coisa que até hoje eu não entendi qual a razão de aquela pedra ser tão impecavelmente pintada e a casa não? Parecia que aquela pedra era pintada diariamente. E religiosamente em cima desta pedra tinha uma menininha de uns sete anos de idade que ficava vestida de anjo, com aqueles vestidinhos de 1º Comunhão com uma coroa de flores na cabeça e uma bíblia nas mãos recitando trechos:
Diferente é a sorte dos maus: são como a palha que o vento dispersa. No dia do julgamento, os maus não ficarão de pé, nem os pecadores na assembléia dos justos. Pois o Senhor conhece o caminho dos justos, ao passo que o caminho dos maus se perde”.
Eu passava e não conseguia ficar indiferente aquela criatura, que levava uma criança e se vestir daquela maneira e ficar recitando a bíblia? Quando comentava com meus amigos:
Você deve estar louco ou está virando mentiroso.
E no dia seguinte quando eu passava lá mesmo que fosse as sete da manhã:
Dai a mão ao SENHOR, e vinde ao seu santuário que ele santificou para sempre, e servi ao SENHOR vosso Deus, para que o ardor da sua ira se desvie de vós”.
Confesso que aquela menina começou a me assustar. Um dia tentei me aproximar dela. Ela olhou nos meus olhos e disse:
Fique onde está o Senhor não quer que eu conheça um coração impuro.
Depois deste dia resolvi tentar ignorar e não me assustar com o fato de uma criança estar recitando a bíblia mesmo que seja às sete horas da manhã sentada numa pedra, por vezes sozinha ou para um garotinho menor que supostamente deveria ser seu irmãozinho ele só mexia os olhos e não emitia qualquer ruído.
Mais preocupante foi quando eu comecei a ser tratado como um invisível por ela, já me sentia o cara mais pecador do mundo todo, o coração mais negro mais sujo. E neste dia vou passando rapidamente evitando olhar para ela quando tropeço numa raiz, me sujo todo, levanto muito indignado e digo:
Que bosta! Putaqueupariu! Vou ter que voltar e trocar de roupa.
A menininha sentada na pedra olha bem nos meus olhos fecha a bíblia e me diz:
Não xingue assim. Ou você quer que Deus te Foda?

* Sampaio

Distraídos venceremos!

O cara era ironicamente distraído por natureza. Não estou dizendo que quando ele via uma árvore ele começasse a fazer piadinhas não. Ele era um cara engraçado naturalmente, e digo se ele se lembrasse dos finais da piadas ele seria o melhor humorista que eu conheço. Mas vejo isso como uma coisa muito boa não seria nada fácil agüentar ele sendo um perfeito humorista, teria tirado o emprego de “Jerrys Lewis a Jim Carreys” mesmo sendo um exemplar legítimamente tupiniquim.
Das poucas vezes que eu consegui falar com ele sério, neste caso eu estava sério. Uma vez no aeroporto meio de um monte de tietes, ele olha para o Luiz Fernando o Veríssimo e diz: Seu LFV até hoje sou grato a você. Teve um livro seu que quando eu li disse para mim mesmo:
Sua vida acaba de mudar. Você era um. Hoje você é outra pessoa.
E o Luiz Fernando Veríssimo:
Humm nossa, qual livro?
Aquele que virou best seller, "Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas".
Mas esse livro não é meu. Confesso que nunca vi o Luiz Fernando tão sem graça.
Numa outra ocasião ele chega todo entusiasmado para o Angeli e diz:
Laerte! Como você está?
Estou muito bem. Mas eu sou o Angeli.
E não era só com pessoas importantes que ele dava suas mancadas...
Um dia na fila do cinema ele aguarda ansiosamente sua hora de comprar o ingresso para a sessão, quando ouve:
O próximo.
Sou Eu. Sou Eu!
Inteira ou meia?
Inteira ou meia? Eu queria uma entrada para ver o filme.
A moça da bilheteria dá um sorriso daqueles complacentes que você costumar dirigir a uma criança, enquanto você esta contando até dez para não esganá-la.
Então o senhor está no lugar certo. É aqui mesmo, e eu vendo os bilhetes mágicos que te levam para o outro lado da sala onde passará um filme numa parede bem grandona.
Que legal! Então eu vou querer uma entrada inteira.
Desculpe moço, mas eu vejo uma carteira de estudante em suas mãos, e isto lhe dá direito de comprar pela metade do preço sua entrada.
Eu sei dona não sou nenhum retardado. Só que hoje eu tenho a tarde toda livre e não quero ter sair no meio do filme por ter comprado uma meia entrada.
Tudo bem o senhor quem sabe.
Então eu posso escolher o lugar?
Geralmente não, pois as cadeiras não são numeradas.
Tá tudo bem então me coloca ao menos na janela que eu não quero perder nada da paisagem.
Bem, se eu o encontrei ultimamente?
Sim dias trás eu o vi. Mas estava preocupado tentando me esconder dele.

* Sampaio

Ferrugem o Mijão.


O Ferrugem tinha acabado de entrar na nossa turma. Toda a paiazadinha*(o mesmo que moleque de bosta, só que mais encapetados um pouco) tudo na faixa dos 14 anos. Até tentei avisar para os outros não baterem tanto nele, ou pelo menos não muito no rosto. Segundo meu tio que era “Pêemê”, batam somente na sola do pé e na boca do estômago, pois assim não ficam hematomas. Um dia depois de livrar sua carinha enferrujada de ficar amassada. Na hora do recreio, no banheiro eu não me agüento e resolvo me abrir. Não estou falando de viadagem. - Resolvo falar tudo o que eu acho, afinal o banheiro masculino também é um território onde as verdades devem ser ditas. E digo:
Pô! Cara sou teu amigo e tenho que te falar esse lance. Eu não agüento mais ficar segurando teus óculos enquanto você leva bordoadas. E nem tentando limpar tua barra ! Você sempre acaba me envolvendo em tuas confusões!
Você tem razão eu acho que tenho algo que atrai problemas.
E eu sem olhar na sua cara o escutava xingando em silêncio.
Que porra! Que droga mal planejada! Isso acaba comigo!
Ei cara que você esta reclamando tanto? Você acha que suas partes pudentas foram mal planejadas é isso?
Não cara eu fico indignado com esses mijatórios! Como que me fazem um negócio dessa altura?
Por que você não mija deste lado aqui?
Ai? Se eu for mijar aí eu fico na fila e nem curto o meu recreio.
Resolvo olhar. (olhar para saber a razão de tanta reclamação).
Ele se esticava, se contorcia para não mijar os sapatos, ficava na ponta dos pés. Cara você tem toda razão de ficar pulando para tentar fazer xixi! Você está mijando na pia!
Ei cara também não precisa querer bater no meu amigo. Ele é só um pouco distraído...
Ei Ferrugem deixa que eu seguro seus óculos.
*Sampaio