Pega ladrão!!

Até aquele dia eu me orgulhava de saber que ia para o céu. Nunca tinha roubado nada de ninguém, nem mesmo doce de criança indefesa. Por exemplo, um amigo meu vendeu (leia-se obrigou) seu vizinho a comprar um par de patins, o detalhe que o garoto só tinha uma perna. Isto já beira a malvadeza. Eu me orgulho de nunca ter tentado passar a perna em ninguém até mesmo no jogo de bafo rua.
Corrigindo a frase anterior, me orgulhava. Eu roubei sim uma vez. Mas antes que vocês queiram me condenar foi na mais absoluta inocência.
Estava indo para a aula. No terminal eu vejo meu ônibus se aproximando.
- Opa, esse é o meu buzão. Não é gíria não! Buzão é aquele ônibus bi-articulado.Gigantescos que só tem em Curitiba.
Cada vez se aproximando mais. Uma força sobre -humana faz minha cabeça girar para a esquerda onde estavam os telefones públicos, e conseqüentemente poderiam ter cartões telefônicos esquecidos ali, a espera de um dono carinhoso que os levassem para sua casa e os colocassem dentro de uma pasta de colecionador. Sim é isso mesmo eu tinha o hábito chato de colecionar cartões telefônicos, todos os amigos guardavam seus cartões zerados para me presentear. Talvez pelo simples prazer de ver um cara de quase trinta anos sorrindo com cartões zerados nas mãos espalmadas e exclamando:
Caracas! Esse eu não tenho. Putz! Esse aqui é dos raros...
De volta ao terminal. Olho para a pilastra onde estavam fixados dois aparelhos telefônicos um de cada lado, e no aparelho do lado de lá estava um cidadão enrolado no fio do aparelho engatado num papo daqueles de gente apaixonada telefonando. Chego perto do telefone:
Uau! Um cartão! Vamos pra casa belezinha! (Eu chamei o cartão de belezinha. Não confunda!). Apanho o cartão e entro no ônibus que estava fechando suas portas.
Em pé olhando para fora. Não sem antes perceber os olhares de reprovação que eram lançados em minha direção. Pensei:
“Que povo ignorante! Será que nunca viram um all star vermelho?”.
O cidadão que estava enroscado no fio do telefone, conversando... Vira se olha para o telefone e com cara de nervoso:
- Cadê a porra do cartão que estava aqui?
Uma velhinha que observava tudo chama a atenção do homem e fala:
Tá nesse ônibus o vagabundo que roubou seu cartão!
O Cidadão furioso:
Seu safado. Ladrão de cartão...(e outros tantos palavrões que eu não posso falar).
Distraidamente pensava:
Quem poderia ser capaz de fazer isso? Roubar um cartão, aonde esse mundo vai? Comecei a ficar realmente preocupado: Um dia te roubam enquanto você esta telefonando, outro dia o que você poderá esperar?Um seqüestro? A coisa esta cada dia mais violenta!
O ônibus arranca e vou para a minha aula, isso sem contar que fui até o ponto onde eu desceria recebendo olhares de reprovação. Chego ao meu destino, vou telefonar. Quando vou testar o cartão que eu havia achado.
38 unidades. “T- r- i –n- t –a e o - i - t -o?” O meu só tinha quatro! Que estranho?
Neste momento caiu minha ficha ou literalmente o cartão.
Putz! O cartão que eu achei era do cara que estava no telefone público. Ele estava me xingado! E todos aqueles olhares condenatórios até aqui eram exatamente para minha pessoa! Eu sou um ladrão de cartões! O sentimento de culpa começou a pesar na minha cabeça. Não vou mais pro céu.
Vou fazer uma ligação.
Corrigindo a frase anterior, me orgulhava. Eu roubei sim uma vez. Mas antes que vocês queiram me condenar foi na mais absoluta inocência.
Estava indo para a aula. No terminal eu vejo meu ônibus se aproximando.
- Opa, esse é o meu buzão. Não é gíria não! Buzão é aquele ônibus bi-articulado.Gigantescos que só tem em Curitiba.
Cada vez se aproximando mais. Uma força sobre -humana faz minha cabeça girar para a esquerda onde estavam os telefones públicos, e conseqüentemente poderiam ter cartões telefônicos esquecidos ali, a espera de um dono carinhoso que os levassem para sua casa e os colocassem dentro de uma pasta de colecionador. Sim é isso mesmo eu tinha o hábito chato de colecionar cartões telefônicos, todos os amigos guardavam seus cartões zerados para me presentear. Talvez pelo simples prazer de ver um cara de quase trinta anos sorrindo com cartões zerados nas mãos espalmadas e exclamando:
Caracas! Esse eu não tenho. Putz! Esse aqui é dos raros...
De volta ao terminal. Olho para a pilastra onde estavam fixados dois aparelhos telefônicos um de cada lado, e no aparelho do lado de lá estava um cidadão enrolado no fio do aparelho engatado num papo daqueles de gente apaixonada telefonando. Chego perto do telefone:
Uau! Um cartão! Vamos pra casa belezinha! (Eu chamei o cartão de belezinha. Não confunda!). Apanho o cartão e entro no ônibus que estava fechando suas portas.
Em pé olhando para fora. Não sem antes perceber os olhares de reprovação que eram lançados em minha direção. Pensei:
“Que povo ignorante! Será que nunca viram um all star vermelho?”.
O cidadão que estava enroscado no fio do telefone, conversando... Vira se olha para o telefone e com cara de nervoso:
- Cadê a porra do cartão que estava aqui?
Uma velhinha que observava tudo chama a atenção do homem e fala:
Tá nesse ônibus o vagabundo que roubou seu cartão!
O Cidadão furioso:
Seu safado. Ladrão de cartão...(e outros tantos palavrões que eu não posso falar).
Distraidamente pensava:
Quem poderia ser capaz de fazer isso? Roubar um cartão, aonde esse mundo vai? Comecei a ficar realmente preocupado: Um dia te roubam enquanto você esta telefonando, outro dia o que você poderá esperar?Um seqüestro? A coisa esta cada dia mais violenta!
O ônibus arranca e vou para a minha aula, isso sem contar que fui até o ponto onde eu desceria recebendo olhares de reprovação. Chego ao meu destino, vou telefonar. Quando vou testar o cartão que eu havia achado.
38 unidades. “T- r- i –n- t –a e o - i - t -o?” O meu só tinha quatro! Que estranho?
Neste momento caiu minha ficha ou literalmente o cartão.
Putz! O cartão que eu achei era do cara que estava no telefone público. Ele estava me xingado! E todos aqueles olhares condenatórios até aqui eram exatamente para minha pessoa! Eu sou um ladrão de cartões! O sentimento de culpa começou a pesar na minha cabeça. Não vou mais pro céu.
Vou fazer uma ligação.
*Sampaio

Hoje exatamente ao meio dia o 


